Uma verdade indecorosa [parte final]

 

   Duas horas haviam se passado e eu continuava me interessando cada vez mais pelos entraves da vida sofrida daquela pequena grande mulher que estava postada na minha frente fumando um cigarro após o outro.

   Eu sempre queria perguntar mais e mais, saber dos detalhes de cada situação perigosa, dos pormenores dos clientes, dos esquemas e ilegalidades que somente pessoas que participam deste mundo paralelo tinham conhecimento, mas foi chegando num ponto em que ela não queria mais falar...

   Então decidi fazer uma ultima pergunta para encerrar o bate-papo, afinal de contas para elas “tempo é dinheiro”, literalmente falando.

   Questionei-a sobre o futuro... Se ela tinha sonhos, se imaginava uma vida normal longe da prostituição e o que pretendia fazer quando estivesse estabilizada monetariamente por um bom tempo.

   “Eu sempre sonhei em ser professora. Daquelas que recebem cartinhas dos alunos e ajuda quando eles têm problemas em casa. Acho que seria uma boa profissional porque eu acho que uma das coisas que um professor tem que ter é experiência e isso eu tenho de sobra.”

   Me levantei, agradeci enormemente pela gentileza e quando ia saindo, satisfeito com todo o material que havia conseguido para o blog, fui chamado de volta.

   “Duas horas são 100 reais.”

   Saí daquela casa pensando seriamente se havia valido a pena...



Escrito por Caio Corraini às 01h07
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